Os três estados do sistema nervoso
Por Dra. Mariana Lage — Psicóloga clínica, CRP-01/8814, especialista em EMDR e Brainspotting em Brasília.
Sobre este vídeo
Uma apresentação visual e acessível dos três estados do sistema nervoso, para você entender por que seu corpo reage como reage — e o que isso tem a ver com trauma e regulação.
Os três estados: segurança, mobilização e colapso
A teoria polivagal nos ajuda a entender o comportamento do nosso sistema nervoso a partir de três grandes estados. Não são "bons" ou "ruins" — são respostas adaptativas que evoluíram para nos proteger. O problema, no trauma, é quando o sistema fica preso em um deles ou oscila sem conseguir voltar à segurança.
1. Estado de segurança (vago ventral)
É o estado de conexão social: respiração calma, voz suave, capacidade de se relacionar, pensar com clareza e descansar. É aqui que o corpo entende que o ambiente é seguro. Pessoas que viveram trauma relatam dificuldade de acessar esse estado — sentem que "não sabem mais relaxar", mesmo em situações tranquilas.
2. Estado de mobilização (simpático)
É a resposta de luta ou fuga: coração acelerado, músculos tensos, respiração curta, pensamento rápido e focado em ameaça. É útil para atravessar um perigo real, mas quando fica cronicamente ativado — como acontece na ansiedade e no estresse prolongado — gera esgotamento, irritabilidade, insônia e hipervigilância.
3. Estado de colapso (vago dorsal)
Quando o sistema avalia que a ameaça é grande demais para lutar ou fugir, ele entra em conservação de energia: desligamento, dormência emocional, sensação de vazio, dissociação, paralisia. Muitas pessoas confundem esse estado com preguiça ou fraqueza, mas é uma resposta biológica de proteção extrema.
Por que isso importa no tratamento do trauma
Reconhecer em qual estado você está é o primeiro passo para regular o sistema. No processo terapêutico — especialmente com abordagens de base corporal como EMDR e Brainspotting — trabalhamos para ampliar a janela de tolerância e tornar mais frequente o retorno ao estado de segurança. Não se trata de nunca sentir medo ou tristeza, mas de desenvolver flexibilidade: sair do alerta e do colapso sem ficar preso neles.
Se você percebe que vive oscilando entre ansiedade e desligamento, ou que seu corpo parece estar sempre em modo de sobrevivência, isso pode ser trabalhado. Fale comigo para uma avaliação inicial.